interrogaçãoNa ETE – Escola Técnica Estadual Célia Siqueira, em São José do Egito, temos os cursos Técnicos de Administração e Meio ambiente.

Em setembro de 2016 o Rotary Club de São José do Egito, através de seu Presidente, Tarcízio Leite, fez palestra nesta escola sobre o Tema Gestão Pública – Educando para Cidadania.

Nesta oportunidade firmamos compromisso com a Escola para oferecer Estágio para os alunos do curso Técnico em Administração.

Encaminhamos a CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas de São José do Egito, ofício solicitando participar da parceria para o estágio.

Como os alunos estudam em horário integral, sugerimos à escola que o Rotary oferece treinamento para os alunos sobre o MEI – MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL – capacitando-os à constituição da empresa e orientação para o Microempreendedor Individual.

A ideia é que os alunos aos sábados façam o atendimento na sede da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas – onde receberam a demanda e durante a semana irão executar o trabalho acompanhados por profissionais da Escola Técnica e do Rotary e no sábado seguinte, de volta ao atendimento na CDL, entreguem os documentos da empresa constituída, prontos para que ela possa funcionar.

Os alunos terão no site do Rotary, uma página, onde no link Serviços (https://rotaryclubsje.wixsite.com/rcsaojosedoegito/servicos) recebem toda orientação para atendimento ao Microempreendedor Individual.

Este trabalho terá início ainda neste mês de outubro proporcionando ao pequeno empreendedor a oportunidade de se legalizar e receber orientação, e ao aluno do curso Técnico em Administração a oportunidade de se capacitar para o mercado de trabalho.

Isto é “Rotary a Serviço da Humanidade”.

Esta matéria foi publicada no Saojosedoegito.Net no dia 19 de outubro de 2016, e como forma de dar uma satisfação aos nossos leitores, venho aqui informar que as palestras, o treinamento para os alunos selecionados e todos os nossos compromissos foram cumpridos.

Porque o estágio não aconteceu só quem pode informar é a ETE e seus parceiros, Rotary, e CDL, pois como profissional realizei tudo que foi proposto.

 

Texto: Tarcízio Leite

Mariana Teles é pajeuzeira, poetisa, escritora e advogada

Mariana Teles é pajeuzeira, poetisa, escritora e advogada

O Pajeú é um só!

 

Melhor do que receber títulos, somente a graça de merecê-los.

O Pajeú acompanhou na última semana a divulgação de um Projeto de Lei de autoria do Deputado Estadual Antônio Morais (PSDB) que torna Tabira a Capital Estadual da Poesia. Ponderar a grandeza cultural que Tabira gera e alimenta é redundância. Tabira é mãe de inspirados poetas e de fato, vive uma atmosfera de cultura popular que vai das urnas aos palcos.

No entanto, o País Pajeú – que reúne 17 cidades no eixo que respira a poesia popular – parecia já haver superado o obsoleto debate de quem é berço, quem é ventre, e quem é capital da poesia. Discussão que jamais colaborou com a valorização institucional da cultura popular e que atrasou a integração de uma região que unida é maior em arte e em trabalho.

A pirotecnia política de um projeto de lei dessa natureza fere de morte a arte que é produzida em todas as outras cidades. Não é hora de discutir quem gerou mais poetas, onde reside mais cantadores, muito menos qual cidade merece o título. A legitimidade de região da poesia foi conferida pela história. É uma legitimidade secular e corroborada pelo povo.

Somos, enquanto pajeuzeiros e produtores do belo, invisíveis aos olhos políticos quando o assunto é investimento. Quando agonizamos na ânsia de elaborar um plano de política cultural que contemple cada cidade. Não vejo a Assembleia Legislativa de Pernambuco empenhar nenhum esforço na hora de reconhecer que existe uma região que exportou gênios e continua a fomentar espontaneamente a formação cultural de milhares de jovens.

Não é proposto nenhum projeto de lei que reconheça a contribuição do Pajeú na formação da história e da identidade do povo de Pernambuco. Não existe no Palácio da Princesas uma porta aberta quando o assunto é discutir e investir na cultura sertaneja.

É esse tipo de Projeto de Lei que o Pajeú precisa.

É o título de Região que reconhece e valoriza os artistas e os produtores culturais.

Muito do potencial inclusive econômico da nossa terra poderia ser potencializado pela gestão cultural responsável e estruturada, mas quando finalmente um olhar político resolve nos enxergar o que consegue propor é o retorno de um debate pequeno e que envergonha o patamar cultural que a região conquistou.

Tabira é a terra das tradições. Mãe do patrimônio vivo Dedé Monteiro. Elegeu por duas vezes um poeta repentista para o executivo municipal. Mas compreendo que eleger uma cidade que apesar de indiscutível destaque no cenário cultural não é exceção de uma região é simplesmente fechar os olhos para outras 16 que com ou sem título, fomentam, aquecem e imprime os valores da poesia na formação dos seus cidadãos.

Nós precisamos de integração. De uma política cultural que compreenda e valorize as diversas potencialidades da nossa região de forma paritária.

Tenho absoluta certeza que não é projeto de lei de Deputado Estadual que por ser votado em determinado município vai arrancar a legitimidade que a história já concedeu a um povo e uma região.

Enquanto os olhos políticos estiverem concentrados em faturar politicamente em cima da cultura, a causa poesia popular será manuseada como objeto de adorno e bravata partidária, longe da reverência justa que merece.

Não precisamos de mais títulos. Nossos títulos foram construídos no empenho de dezenas de cantadores de viola que elevaram o nome da nossa região Brasil a fora. Nosso título nasceu com Os irmãos Batistas (que só deletaram sentimentos e acumularam fãs), com Rogaciano Leite, Zezé Lulu, Job Patriota, Zé Catota, João Paraibano e diversas estrelas que compõe a constelação Pajeú.

Nosso título continua sendo legitimado. A safra nova não decepciona e se multiplica com uma força e uma rapidez que parece o embalo de um martelo a desafio ou de um galope a beira mar.

O título que o Pajeú precisa não é eleger uma Capital. É reivindicar investimento para fortalecer a integração de cada uma cidade irmã. Nós somos Tabira, São José, Tuparetama, Itapetim, Solidão, Carnaíba, Quixaba, Serra Talhada, Triunfo, Ingazeira, Afogados da Ingazeira, Santa Terezinha, Calumbi, Santa Cruz da Baixa Verde, Iguaracy.

Somos um soneto de Dedé Monteiro na voz de Antônio Marinho!

Somos um só povo, uma só arte e uma só história.

O capital que precisamos não é no sentido de cidade, é no sentido de recurso. Só assim seremos do tamanho do que produzimos. Integrados e exportando para o mundo a poesia popular em todas as suas dimensões.

 

Mariana Teles é pajeuzeira, poetisa, escritora e advogada.

 

* Este artigo reflete a opinião do blog