A Política entre vencedores e perdedores

conversa-de-segunda-felipe-juniorMais um pleito eleitoral se encerrou no mês de outubro/2016. A população escolheu os seus representantes municipais para o período dos próximos quatro anos. Frente às várias mudanças nas Leis n° 9.504/1997 (Lei das Eleições), nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos) e nº 4.737/1965 (Código Eleitoral), deu-se uma disputa acirrada em todos os municípios brasileiros. Modificações como readequação dos prazos para as convenções partidárias, filiação partidária e do tempo de campanha eleitoral, que foi reduzido,    e também foi proibido o financiamento eleitoral por pessoas jurídicas.

Em São José do Egito – PE, a disputa acirrada entre os candidatos a prefeito Evandro Valadares e Romério Guimarães fez com que o resultado das urnas fosse a não reeleição do atual prefeito com uma diferença de 420 votos. Com um valor declarado à Justiça Eleitoral de R$ 3.748.756,86 (quase meio milhão a mais do que foi declarado na campanha de 2008), Evandro Valadares saiu vitorioso com um cardápio de promessas ao povo egipciense, dentre as quais estão: disponibilizar internet grátis Wi-Fi em algumas localidades do município; retomar todos os serviços médicos do Hospital Maria Rafael de Siqueira, com contratação de profissionais especializados e manutenção constante de remédios e exames; implantação de ciclovias móveis e fixa; criação do Conselho Municipal de Esportes; recriação da Feira da Agricultura Familiar, entre outras. Embora tenha abertamente falado ao público da cidade sobre a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), o prefeito eleito esqueceu de colocar por escrito entre as suas 25 propostas na área da saúde, conforme consta no seu Plano de Governo para o período 2017-2020. Na área cultural, o seu Plano de Governo declara a criação do Conselho Municipal de Esportes, mas o Conselho Municipal de Cultura que tanto foi debatido e solicitado entre os artistas, inclusive, com a possibilidade de desmembramento da pasta de Esportes à pasta de Cultura, não se encontra no documento. Hora de pesar as consequências do voto e aprender a conviver com as suas próprias consequências .

No debate político entre “boca preta” e “vermelho”, vez por outra, pairou um diálogo violento com excitações e provocações. Intrigas, tramas, desavenças e traições são eventualidades claras no ambiente político. Todavia, o que deve prevalecer é o diálogo entre os seus agentes. Ninguém governa só. Isso é fato. A política se faz com espírito agregador e qualquer militância partidária deve seguir essa máxima. Com o prefeito eleito não será diferente, visto que o mesmo dispõe de 6 vereadores da base governista contra 7 vereadores da oposição. Mas enquanto o pleito se encerrava, o prefeito eleito festejava e os vereadores eleitos comemoravam, nas redes sociais a eleição continuava. Travava-se uma verdadeira enxurrada de desrespeito entre militantes dos dois lados. Uma verdadeira aula antidemocrática que deve servir de exemplo negativo para os agentes políticos.

A política dispõe de metodologias que tem o poder de transformar a realidade. Diante desse cenário, veem-se apenas pessoas que querem o melhor pra sua comunidade. Portanto, não há o que se falar em vencedores e perdedores. Os representantes legitimamente eleitos não devem – ou não deveriam – governar só para os “vencedores”. A perseguição política, a representação particionada, a arrogância eleitoreira e a governabilidade oligárquica não têm espaço diante da democracia representativa. A certeza disto quem diz é o próprio eleitor quando exerce o seu poder soberano de escolha através do voto elegendo ou reprovando algum candidato. E que assim seja! E que a resposta seja clara para todos os verdadeiros vencedores que tornam a democracia cada vez mais consolidada.

Sobre o autor: Felipe Júnior é poeta e professor. Formado em Filosofia com pesquisa em Filosofia Política e Gestão Pública

 

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COLUNA: Conversa de Segunda – por Felipe Júnior
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