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VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR

 

Muito se fala na valorização do professor, mas o que pensam os profissionais da educação sobre isto? O que está sendo trabalhado de forma concreta neste sentido? O que pensam e o que fazem os gestores públicos?

Precisamos analisar alguns aspectos para que isto fique bem claro para o cidadão e também para o profissional da educação, que muitas vezes não se valoriza, principalmente quando lhes são oferecidos cargos e eles entendem como vantagens.

A valorização do professor não se limita a remuneração, mas também a um plano de carreira onde não seja necessário ficar mendigando cargos de diretor, secretário, dentre outros para que possa ter uma melhor remuneração, ou seja, deixar de ensinar.

É preciso condições mínimas de trabalho, e o que seria isto na visão dos profissionais de educação, dos gestores e pais de alunos?

Enquanto diretores, secretários e outros profissionais da educação trabalham em pequenas salas climatizadas, os professores trabalham com um número de alunos que chegam em média a 38, em salas totalmente quentes, sem ventiladores, porque os que têm não funcionam, material de péssima qualidade e na maioria das vezes colocam do próprio bolso e ainda têm que pedir aos pais de alunos.

Enquanto os gestores de uma escola trabalham com sistemas informatizados, o professor tem que preencher uma caderneta colocando frequência, notas, parecer do aluno, dentre outros, tudo manuscrito.

A administração da escola é diferenciada em todos os sentidos, enquanto têm banheiros exclusivos, os professores usam os dos alunos, onde não têm, na maioria das vezes descargas funcionando, como é o caso de nossa cidade.

Água, os professores têm que levar de casa, pois nas escolas, em sua maioria, não têm água tratada, gelágua só na sala dos gestores.

A questão não é se os gestores têm esse direito, até acho que devem ter, mas por que o professor, com em média 38 alunos em sala de aula, será que não tem?

Respeito, acabamos de relatar a sua falta pelos gestores, e os alunos e pais de alunos?

Se o poder público acha que nada pode fazer, o que nós como cidadãos e pais de alunos podemos fazer?

O mínimo seria educar os nossos filhos para que eles passem a respeitar o professor dentro e fora da escola. Procurar fazer visitas periódicas à escola, não com a finalidade de fiscalizar os filhos, mas de valorizar o ato de participar da escola e estimular a desenvolver o conhecimento.

Estamos colocando os nossos filhos na escola para que tenhamos tempo livre para trabalhar; para o professor educar ou para formação intelectual?

Precisamos tratar o professor como formador e não como cuidador de crianças e jovens, pois este papel é dos pais, e isto também faz parte da valorização profissional.

Qual a atenção que os gestores públicos dão para a formação destes profissionais?

Mesmo sendo legalmente obrigado a contratação através de concurso público, isto muitas vezes não acontece por este Brasil afora, e qual o critério utilizado para contratação deste profissional?

Qual a atenção direcionada para a formação continuada dos profissionais da educação?

Tudo isto faz parte da valorização, não só do professor, mas da educação.

E a remuneração destes profissionais, como é tratada? É preciso deixar claro que elevar os salários dos profissionais do magistério é uma opção mais política do que técnica.

Implica em ver a Educação como a principal fonte sustentável de desenvolvimento de um país, ou seja, é questão de prioridade.

Os municípios, muitas vezes são os mais penalizados, pois os recursos vêm da União, como o FUNDEB, por isto é preciso administrar bem, principalmente as contratações, para que nesta divisão se tenha recurso para desenvolvimento e manutenção da educação.

De todas as receitas que o município recebe, exceto convênios e programas, vinte e cinco por cento deverá também ser aplicado no desenvolvimento da educação.

Para isto é necessário, uma gestão financeira onde se coloque o profissional da educação como prioridade, oferecendo não só remuneração, mas condições dignas de trabalho, saindo assim destes discursos demagógicos onde o profissional não tem, muitas vezes, condições mínimas para trabalhar. É preciso, primeiro, humanizar e valorizar a educação.

Mais uma vez coloco: Se o poder público não faz a sua parte, nós enquanto pais e cidadãos temos a obrigação de fazer a nossa e depois cobrar.

 

– As opiniões emitidas pelos colunistas e leitores são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião do Saojosedoegito.Net.

Coluna da Quarta – Por Tarcízio Leite
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